É o Futebol o ópio do povo?

Por: Anarkoskin

        Os esportes, assim como a música, o teatro e a dança, é uma produção da humanidade, faz parte da cultura dos povos. E é a sociedade capitalista quem transforma tudo em produto e os usa como forma de alienação. Mas por quê não se fala que a música ou o teatro é o ópio do povo? Por quê essa perseguição ao futebol?

A repulsa ao futebol

        Os intelectuais da burguesia sempre fizeram questão de ficar o mais longe possível das massas. Contudo, quem vem criando esse sentimento são os "intelectuais de esquerda" que, de uns tempos para cá, tem se afastado cada vez mais do "povão" e trancafiando-se nas universidades. Tais "formadores de opinião" provavelmente devem temer os estádios onde se faz arte com os pés e onde suas palavras requintadas não têm significado algum. Essa repulsa ao povo, ao suor do trabalho manual, é que gera tanta repulsa ao futebol. É claro que o futebol pode ser usado para alienação do povo e manutenção de regimes, como vez Médici com a seleção brasileira tri-campeã em 1970, mas o futebol também pode ser usado para a transformação da sociedade.

Futebol e consciência de classe

        No Brasil, quando o futebol começou a se popularizar no começo do século passado, os sindicatos (dirigidos por anarquistas e socialistas) foram contra a prática do esporte. Como os trabalhadores não vivem só de política, eles entraram nos times criados pela burguesia defendendo a camisa da fábrica onde eram explorados, criando rivalidade entres os próprios trabalhadores. Depois que viram que não podiam impedir os trabalhadores de jogarem futebol, os sindicalistas começaram a organizar times classistas: os times de operários jogavam contra os times da burguesia, levando assim a uma consciência de classe.

Sociedade do espetáculo

        O capitalismo também transformou o futebol em espetáculo, uma forma de gerar passividade na população. Afinal, não há nada mais alienante do que trabalhar de segunda a sábado e, no domingo, gastar o resto de seu salário miserável em um ingresso caríssimo para passar duas horas vendo um monte de milionários correndo atrás de uma bola! Na minha opinião, as torcidas são a tentativa inconsciente da população de serem mais que meros espectadores de futebol. A organização dessas torcidas são na maioria das vezes superior a organização de nossas manifestações, e, com suas bandeiras, faixas, hinos de guerra, coreografias, baterias, etc. tornam-se um "espetáculo" à parte (vai dizer que é a mesma coisa assistir um jogo num estádio vazio e no maracanã lotado?).

O quê fazer?

        Está claro que não podemos acabar com o futebol. Tampouco podemos deixar que a burguesia se aproprie dele. O quê fazer então? Simples, assim como lutamos pela democratização da mídia, lutemos pela democratização do futebol! Vamos organizar, como no México, o Futebol Contra o Capital, ou como no EUA, a Associação Anarquista de Futebol. Vamos divulgar nossas idéias nos jogos, canalizar o ódio que as torcidas tem umas das outras para seus verdadeiros inimigos: o Patrão, o Estado, o Capital. Vamos atear fogo na CBF. Transformemos os estádios de futebol em campos de batalha onde lutaremos contra a policia, os cartolas e os patrocinadores capitalistas que mancham as camisas de nossos times. Mas se quisermos mesmo democratizar o futebol, precisamos além de tudo isso acabar com o capitalismo para que todos possam desenvolver suas próprias potencialidades, inclusive o futebol:

AS ARQUIBANCADAS JÁ NOS PERTENCEM, CHEGOU A HORA DE RETOMARMOS OS GRAMADOS!!!

 

Texto retirado do zine Revolta Skinhead