Em épocas de crises, guerras e revoluções, o capitalismo desfere golpes cada vez mais constantes contra a classe operária. Para responder a estes ataques é necessário erguermos trincheiras e a bandeira da resistência.

Muitos dizem que o esporte, especialmente o futebol, não é um campo privilegiado da luta de classes. Mas entendemos que a burguesia, enquanto classe dominante, se apropria das produções da humanidade – como o esporte, a ciência e a arte – para extrair lucro. Consequentemente, o esporte passa a ser um dos meios de continuação da política. Acreditamos ser possível sintetizar a luta de classes e o esporte, em particular o futebol, em um só sentimento classista.

ULTRAS RESISTÊNCIA CORAL nasce da fundição da luta da classe operária com sua paixão pelo futebol, precisamente pelo FERROVIÁRIO ATLÉTICO CLUBE, um clube surgido genuinamente da classe operária, de dois times de final de expediente de trabalho, em que operários ferroviários reuniam-se para jogar após a dura e alienante jornada de trabalho. Desde então nossa classe passou a ter porquê sentir orgulho no futebol, pelos títulos, pelos gols e pelas jogadas inesquecíveis. Mas a isso seguiram-se derrotas no campo, na luta de classes. O FERRÃO foi sendo escanteado, depreciado por adversários, por cronistas futebolísticos da mídia burguesa que, implicitamente, tentaram destruir a consciência de classe “forjada na refrega e no fogo” do férreo torcedor coral. O “TUBARÃO DA BARRA” passou pelo risco de fechar as portas, de perder sua estrutura no bairro operário da Barra do Ceará. Mas sua torcida fez do sacrifício o suporte para manter erguida nossa sede, a Vila Olímpica Elzir Cabral. As barras de linha de trem, que literalmente sustentam a estrutura de concreto, e os vigorosos punhos operários, que mantêm erguida a bandeira coral, jamais hão de ruir.

A ULTRAS RESISTÊNCIA CORAL não enxerga os torcedores de outros times como potenciais inimigos, já que a composição social das torcidas no Brasil é principalmente de trabalhadore(a)s ou Resistência Coraljovens filho(a)s de trabalhadore(a)s. Nossos reais inimigos são os cartolas burgueses, capitalistas, que exploram trabalhadore(a)s em suas empresas e ainda comandam nossos clubes, planejando os aumentos abusivos de ingressos, nos impossibilitando de vermos nossos times de coração, limitando, assim, nosso direito ao lazer. Também é verdade que a maioria das torcidas organizadas foram controladas por playboys, filhos de burgueses, que, a partir da máxima capitalista “dividir pra conquistar”, transformam as torcidas em gangues sem a menor identidade, incentivando a violência entre a juventude proletária, que muitas vezes mora no mesmo bairro, estuda na mesma escola, freqüenta o mesmo meio social. Queremos a paz entre nós, proletário(a)s, e a guerra aos burgueses, inclusive utilizando da violência revolucionária.

ULTRAS RESISTÊNCIA CORAL combate intransigentemente a homofobia, pois cremos que cada um(a) tem o direito a seguir a sua orientação sexual. Incentivamos este segmento de oprimido(a)s a organizarem-se; nossa claque disponibiliza todo espaço para a discussão sem quaisquer constrangimentos.

ULTRAS RESISTÊNCIA CORAL combate implacavelmente o racismo, dentro e fora das arquibancadas. O capitalismo utiliza o racismo de forma sistemática, inclusive nos estádios. Lutamos intrepidamente contra grupos nazifascistas que usam as torcidas para espalhar o ódio racial. Racismo se combate com raça e classe.

ULTRAS RESISTÊNCIA CORAL não admite machismo em suas fileiras, dando a batalha para que as mulheres operárias se organizem para encampar a luta antimachista. É inegável que a classe operária está impregnada de preconceitos, conseqüentemente, a luta contra o machismo também deve se dar no interior de nossa classe. E queremos não apenas que as mulheres tenham os mesmos direitos que os homens, aspiramos também a própria superação desses conceitos da sociedade de gênero.Resistência Coral

ULTRAS RESISTÊNCIA CORAL também combate a xenofobia e o nacionalismo. A seleção brasileira é utilizada para tentar amenizar as crises no Brasil e em outros países irmãos, servindo à política de “ópio”, onde se tenta incutir um nacionalismo ufanista, explorando uma paixão popular, o futebol. Essa mesma seleção, que já foi utilizada como propaganda do regime militar na década de 1970, agora é usada para amenizar a insatisfação dos haitianos frente a brutal ocupação brasileira do Haiti. Diante do patriotismo que a burguesia quer nos atribuir para defender seus interesses defendemos que “a classe operária não tem pátria”. Solidarizamos-nos com as lutas da classe operária em todo o mundo, defendemos a autodeterminação de povos e nações oprimidas pelas burguesias imperialistas. A classe operária é internacional!

A ULTRAS RESISTÊNCIA CORAL acredita que só é possível obter o direito à vida plena com a abolição do trabalho alienado, consequente da destruição do capitalismo. “A emancipação dos trabalhadorResistência Corales será obra dos próprios trabalhadores”!

ULTRAS RESISTÊNCIA CORAL, enfim, luta arduamente contra todas as mazelas do capitalismo, dentro e fora dos estádios. Nossa torcida não é de mero(a)s espectadore(a)s de partidas de futebol e da luta de classes, somos expressão do que há de mais ativo nas arquibancadas e na luta operária. Nossa bandeira abriga todo(a)s o(a)s lutadore(a)s explorado(a)s e oprimido(a)s que encontram no FERROVIÁRIO um alento, não apenas para torcer, mas, sobretudo, para lutar por nossa causa.

Nossa paixão pelo FERROVIÁRIO é ferrenha e não há de ser corroída pela ferrugem. Nos campos de classe e de futebol a resistência segue adiante!



Nem guerra entre torcidas,
nem paz entre classes!

Nada diminui nossa paixão incendiária,
Ferroviário, orgulho da classe operária!